sábado, 29 de setembro de 2012

Leoazinha Luiza cresceu....

Das Leoas... a Luiza sempre foi a leoazinha, a menina em mim. Ao longo da vida, as outras leoas foram ficando indignadas com a meninice da Luiza, com seu romantismo, seu sentimentalismo exacerbado. “Coisa de libriana”, sempre pensava a Malu, um tantinho mais paciente que a Maria Luiza, a mais racional das três. Esta, sim, bah... revoltada com o jeito ‘amor derramado’ da menina, nunca poupava adjetivos pejorativos...depreciativos. Só que o tempo tem mostrado que cada uma, do seu jeito, tem sua sabedoria... a Luiza também. Além disso, também é possível avançar no jeito, aprender com a experiência, reescrever a própria história, também (e talvez, principalmente) a própria história amorosa. Assim, um belo dia desses, me dei conta... a Luiza cresceu.



Luiza: Elas brigam tanto e, quando veem, o que mais querem é simples e está nas coisas que eu cultivei, que eu aprendi desde menina.

Malu: Ah.. tá. Vamos com calma. Você é a menina em nós. Eu quero muito mais coisas. Ainda tenho sonhos, projetos. Sigo planejando e produzindo. Sem minha disposição e força de ‘arranque’ pra batalhar pelas coisas... não seríamos nada.

Luiza: Planejando e produzindo. Aí é que está. Não vê que há graça em coisas que nunca foram planejadas? Coisas que são da natureza. Coisas sobre as quais não se fala, coisas que acontecem, singelas, simples.

Malu: Sim, eu sei do que você está falando. Tenho pensando muito nisso. As coisas simples...

Luiza: De tudo o que se viveu, eu ainda quero a simplicidade das toalhas de crochê, das flores ajeitadas na casa, a simplicidade da conversa na hora do almoço, do olhar de um homem ‘simples amado’, suas histórias, seus jeitos, seu riso, seu jeito de ficar indignado com injustiças sociais, às vezes. Quero também o riso dos filhos, almoço aos domingos ou, mesmo, como agora, quero estar um pouco sozinha, pra serenar por dentro... quieta, no ‘mim mesma’. É pouca coisa, mas é uma imensidão de alegria. Assim como foi uma das últimas viagens.

Maria Luiza: Foi marcante mesmo. Foi um retorno às origens, reencontrar o lugar, amigos, o pai, tudo.

Luiza: A senhora, pra variar, está racionalizando. Essa viagem me trouxe de volta, porque sinto que tudo o que sinto é o que verdadeiramente faz sentido, pra todas nós. Detalhes. Detalhes. Cada coisa, cada cena foi compondo informações de um estar bem, que faz muita diferença. A ‘cena da janela’ me contou isso. Outras cenas também... eu não digo aqui, porque, depois, este texto vai pro “Margaridas”.. bem.. mas todas vocês sabem...

Dra Cardinale: Vamos falar em sentido geral. A questão é que as viagens provocam uma desacomodação, uma desterritorialização, saída do território conhecido e habitual, que não é só física. É também interna, também psíquica. Quando viajamos, nós viajamos dentro de nós mesmas e encontramos ‘outros lugares’.

Luiza: Desta vez, encontraram a mim...(rindo).

Dra Cardinale: Sim, Luiza, a encontramos porque as vivências todas foram mostrando o que mais valorizamos na vida, uma poética do simples e um gosto de estar ali, na segurança de se sentir do lugar, de ser aceita e querida. Há outras lembranças contrárias a isso, quando nos sentimos ‘fora do lugar’, incomodadas pelas evidências de não desfrutar do direito de pertença, por não sermos autorizadas a ficar. Esta é a diferença.

Luiza: Talvez o choro na rodoviária tenha sido por isso.

Maria Luiza: Como disse a nossa irmã, você é mesmo uma ‘molenga’. Chora por qualquer coisa. Isso nem mais é levado em conta.

Luiza: Não é o caso. Ali o derrame de lágrimas era pela intensidade e singeleza do que se viveu. Simples. Tudo simples e mostrando como tem que ser.

Malu: Ah.. ótimo.. como tem que ser, só que o lugar é algo que está lá e você está aqui. Que lindo isso! É uma síndrome romântica, tendência de valorizar o ideal, o que não tem.

Luiza: Não. O sentimento está em mim. A vivência trouxe informação e, como sabemos, informação é sempre um bem. O querer e o bem-querer-bem têm que ser assim, simples e tranquilos. Essa é a novidade que veio dar à praia... ou à região caipira em nós. Amar tem que ser simples e intenso! Tá bom pra vocês???





Um comentário:

  1. Ta sim, Luiza!!!
    Aliás, texto muito gostoso de ler!

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