domingo, 27 de fevereiro de 2011

Vida Pazza Comunicazione!



Que a vida nos leve, onde o coração estremece e, como uma prece, que possamos repetir a adoração e a confiança de que não estamos sozinhos. Seguimos o roteiro para o qual fomos chamados. Amor sem conta, Acolhimento mútuo. Produções de qualidade. Contribuir para aumentar a ternura e amorosidade no “Grande Ambiente Cósmico”....peço que todos se aliem nessa Rede de Afeto para o Bem Comum. Mais e mais amigos e Bem-Querer! Pazza Comunicazione (www.pazza.com.br) Beijos.

Amorosidades e investimentos desejantes

Meu tempo e minha intensidade eu dedico àqueles que me tocam de maneira especial, na ternura do abraço, na doçura do laço de afeto que nos une. Eu não gasto tempo, mas faço investimentos desejantes em pessoas que, pra mim, valem a pena. Gente que sabe rir, gente que sabe beijar, gente em que posso confiar e para quem me entrego como pessoa amorosa.

São diferentes os laços de afeto que me unem às pessoas. Todas têm um lugar especial, cada uma do seu jeito. Especiais dos especiais são alguns com quem minha alma se estremeceu, como se não fosse a primeira vez... como se a vida se reinventasse em potência mágica de um devir amoroso pleno e intenso mais duradouro, um substrato amoroso desses ‘tomara’ que a vida dure mais tempo, para eu ser feliz também por longa data.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

SAMBA QUE TE QUERO SEMPRE MAIS!

Compromisso com o samba! Com essa expressão eu fui ensinando meus filhos que, nós, brasileiros, sujeitos vivos e alegres, temos compromissos com o samba. O samba é, na verdade, uma filosofia de vida. Não fui eu que inventei isso. O samba é o movimento do corpo, regido pela pulsão interna do ritmo marcado pela percussão. Bah.. forte, atiçador de dentro. Samba é como tesão. Nas suas variações, vai existindo e mexendo com a gente e o resultado, se nos soltarmos, é gozo, prazer, alegria. Assim também é o samba! Por isso, sambar é muito bom!

“Quem não gosta de samba bom sujeito não é. É ruim da cabeça, ou doente do pé”. Penso que a frase é forte. Lida rapidamente, analisada como fala isolada talvez soe mal. Acredito, no entanto, que existem bons sujeitos que não sabem sambar. Sambar não é pra todo mundo, exige capacidade de requebrar e ousadia de mexer o quadril e coordenar o corpo na cadência ritmada do samba. Além disso, ainda há a coordenação entre as pernas que vibram, a respiração que oscila, a ginga que atiça, atiça...o samba provoca a sensação de vontade de sambar mais, mais e mais...Samba é, sem dúvida, sensual, muito sensual. Mas de uma sensualidade mestiça...de qualidade ímpar. Eu diria que saber sambar ...já é meio caminho andado, se é que me entendem.. risos.

Assim, gostar de samba faz diferença. Mesmo que o sujeito seja tímido, ainda não tenha desenvolvido o ‘molejo’ de sambista, ao ouvir o samba, ele sorri, altera os humores internos, consegue sentir a pulsação da percussão. Pulsa diferente, porque o samba ferve a gente, excita e relaxa ao mesmo tempo, produz alegria pela própria pulsação, pelo ‘processo’, eu diria (risos).. da ‘coisa’ em si...

Uma vez, numa praia italiana chamada Cesenático, ao ouvir o som da música brasileira em um bar, decidimos parar ali e acabamos começando a sambar. O bar começou a encher, porque os italianos ficaram encantados com o grupo sambando. Éramos dois adultos e duas crianças... Observei que eles ficavam encantandos com o movimento e a tranquilidade com que fazíamos isso. Sorriam... também atiçados...Em um determinado momento, um italiano mais ousado (quase uma redundância, porque, em geral, eles são ousados, deliciosamente ousados) veio conversar comigo. Elogiou, elogiou meus dotes de sambista e, depois, me perguntou quantos filhos eu já tinha...insinuando a relação entre samba e sexo... eu queria matar o italiano (na verdade não valia a pena, era um italiano lindo.. esse também é um traço do homem italiano.. há muuuuiitttooos homens lindos. Chega a ser um problema... risos...). Bom, mas na época eu estava casada.. meu marido ali sambando comigo e o tal italiano lindo me perguntando aquelas coisas...
Por fim.. eu entendi a relação... a lógica... a situação é que foi estranha.

Bom.. agora estamos em um tempo de samba à flor da pele. .em função da proximidade do carnaval.. eu continuo sambista.. com compromisso com samba... Vamos sambar???

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Encontro das Leoas Maiores


Maria Luiza: Olha só! Quanta honra! Dra Cardinale em pessoa, em carne e osso. Achei que ia voltar a dialogar com a Malu.

Dra Cardinale: Ela não está muito disposta para conversar com a senhora, nas atuais circunstâncias. Sabe bem que vem por aí um derrame de ironia e discurso, tipo: “Eu te disse! Eu te avisei!”. Outra coisa, a senhora sabe bem que sou a mais completa, minha constituição é a mistura de vocês. Então, vai cuidando a fala, porque estou com pouca paciência.

Maria Luiza: Leoa furiosa, de novo?!

Dra Cardinale: Não, pelo contrário. Estou ‘serena’, firme, determinada, focada, eu diria. Eu sinto tudo, tenho a intensidade da Malu, a emocionalidade da Luiza, mas sei bem o que fazer. Um tanto de racionalidade herdei da senhora, mas racionalidade retrabalhada, com inteligência emocional. Então, me poupa o sermão, porque não é o caso. Nem pra Malu seria...

Maria Luiza: Então, em que ponto estamos?

Dra Cardinale: No ponto de a senhora reconhecer que não sabe nada de Mitologia ou esqueceu, por conveniência, porque não gosta de alguns mitos, se apega sempre aos de luta, de conquistas, de vencer batalhas, como o do Jasão e o Velocino de Ouro, que é o seu preferido. O que se esquece é que a vida se constitui a partir dos quatro elementos e, portanto, a Malu está sendo coerente com uma de nossas forças motrizes, talvez a mais marcante, o nosso diferencial, o que é a nossa marca existencial.

Maria Luiza: Muito bonito discurso, mas esse traço de Psiquê em nós tem trazido mais problemas do que qualquer outra coisa. E a Malu é mais fogo do que água...

Dra Cardinale: A senhora sabe que não é assim. Os encontros com Eros sempre valeram uma vida, porque produziram uma intensidade que ecoa e permanece no tempo. Agora, cada ser humano é o resultado de sua dosagem dos quatro elementos: água, fogo, terra e ar. Somos o que somos, porque assim fomos forjadas. Por sorte, hoje, a descompensação do elemento água, na associação com o ar, dentro de nós, amenizou-se um pouco. Ter nascido libra, com lua em libra é uma complicação. Ainda é pouco, eu sei, mas a predominância do ascendente sagitário já resolveu alguma coisa. Aos poucos, chegamos lá. Estamos aqui para isso: aprender, amadurecer, com cada vivência, cada dia, cada relacionamento. O que vivemos até agora já o suficiente para a Malu entender que ela não está perdendo nada, porque, na verdade, não tinha, de fato. Tinha apenas o querer. Apesar do tempo, da intensidade, foi tudo sempre ‘quase’....

Malu: Peraí, deixa eu me meter. Dá licença. Prometi que não ia falar, mas assim não dá. Eu não inventei nada. Sei o que vivi. Sei no que me baseei para fazer meus ‘investimentos desejantes em busca da felicidade’. Tá.. entendi.. sei.. não se pode perder o que não se tem, de fato.. entendi.. sim Dra.. entendi...

Dra Cardinale: Sim, querida. Tal como Psiquê, você foi fiel aos seus sentimentos. Sua busca, seus investimentos são legítimos. Mas já é tempo de serenar.. de saber com quem se está vivendo, de viver amores de forma mais madura. Você sempre foi verdadeiramente intensa, mas somente em momentos especiais, com parceiros especiais consegue o que tem conseguido agora, saber o que está fazendo, o que pretende, porque pretende... saber ir adiante e recuar... até mesmo ir embora, como é o caso. Vejo que você está madura na expressão dos desejos e isso é raro e importante. Aprender a não desistir à toa, mas também não insistir mais que é recomendável. Saber finalizar com doçura, sem mágoa, sem nada, só amorosidade... esquecer a diferença..os dissabores.. só seguir em frente.

Malu: É. Eu só fiz amar!

Dra Cardinale: Isso não termina. Você sabe que não termina. Temos uma cristaleira da memória repleta de amores lindos, especiais, que nos fizeram felizes, enquanto estiveram conosco. Só mudamos o rumo, o jeito, a flexibilidade exagerada no laço amoroso, que mais entrega do que pede. Investimento desejante tem que ser cuidado, nesse sentido. Se não... descompensa.. não compensa...o mercado precisa de resultados.

Maria Luiza: Mas voltando à Mitologia.. estava achando interessante a análise da doutora...só que, que eu me lembre, Psiquê não segue adiante com essa tranquilidade toda. Ela sofre muito, pela reação de Eros.

Dra Cardinale: Em parte a senhora está certa. O que acontece é que Eros é lindo, é o Deus do Amor, é assediado e adorado pelas mulheres e envaidecido por tê-las assim, tão desejosas...Ele sente prazer em encantá-las com suas palavras doces e seu desempenho inigualável. Eros encanta as mulheres. Não é apenas um sedutor. Mas ele tem fortes laços com a mãe Afrodite, a Deusa da Beleza. Afrodite é apegada a Eros e, por isso, é tão complicada a aproximação de qualquer mulher mortal. Afrodite não aprovaria...ciúme de mãe. Eros não quer decepcionar a mãe. Ele não conseguiu matar Psiquê, que foi a recomendação dela. Apaixonou-se por Psiquê, mas isso não foi suficiente... pelo menos não até essa parte do mito. Eros fugiu, culpando Psiquê, pelo (parcial) desfecho. Nesse ponto do mito, não se sabe o que acontecerá. Psiquê fez o que lhe era de direito na sua condição de fêmea. Agora Psiquê segue sua viagem...

Maria Luiza: Segue triste, para os trabalhos aqueles...

Dra Cardinale: Olha, por isso eu digo que a senhora não compreende a Mitologia. Os mitos são matrizes narrativas existenciais. Praticamente tudo está ali, mas na lógica quântica dos tempos múltiplos, da espiral do tempo, existem atualizações. Psiquê não é mais a mesma, eu diria, pra ficar mais fácil de entender, embora tenha repetido matrizes narrativas. É do texto.. está no roteiro, mas ela vive agora sendo Psiquê contemporânea... ou Julieta...a Julieta dos dias atuais não optaria pela morte.. certamente não.

Maria Luiza: Mas então o quê? Segue como?

Dra Cardinale: Segue ‘pós-moderna’, se isto lhe diz alguma coisa, coerente com a mutação cósmica, atenta ao rumo e ao poder do Universo. Você viu a Malu hoje, em Caxias? Nada de tristeza. Ela comemorou em grande estilo a conquista, o fato de estar ali. É uma conquista profissional. Há muito ela queria isso. Depois, uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa. Bem.. o mito não termina aí, embora este seja um ponto de finalização. Psiquê encara a sua verdade. Malu também.

Malu: Acho graça as duas filosofando sobre Psiquê, sobre os traços de Psiquê em Malu. Analisando, analisando... eu sigo vivendo, fazendo graça até mesmo da minha atrapalhação... quando ela surge...estratégia de sobrevivência básica: o humor. Conseguir rir de mim mesma já é um grande passo. Viram hoje? Vou me dar muito bem em Caxias. Me preparei para isso. Vou fazer o meu melhor! Me aguardem. Estou livre, leve e solta...estou feliz com a oportunidade.

Maria Luiza: Então não está triste?

Malu: Mas que obsessão! Pode ter certeza que não. Sou jornalista. A realidade é minha matéria. Gosto de enxergar claro o rumo do texto, os sujeitos das frases.. vivo aninhando as palavras para as pessoas. Preciso fazer isso pra mim também. “Cada um no seu cada qual’... como se diz. Quando faço uma pergunta, em uma entrevista ou na vida, estou preparada para a resposta. Antes de tudo, o que mais desejo é a resposta. Aí, apreendo os detalhes, os silêncios. Silêncio também é resposta, também é informação. Como eu sempre digo. A informação orienta, dá rumo, dá direção para as pessoas. E eu vivo disso, da informação inteira. Como vocês viram, meu primeiro dia de Caxias do Sul foi muito feliz! E vou fazer o possível para tornar felizes as pessoas a minha volta, com a qualidade do meu trabalho, a amorosidade pelo ser humano, com minha italianice a toda prova. Vou me dar bem, vocês vão ver....vou me dar bem!

Maria Luiza: Mas essa criatura, quando eu penso que ela vai desabar, ela salta como quem gira num samba, na ginga da brasilidade que também carrega, com orgulho, na força e graça italiana di ballare la tarantela.. e agora... ainda inventou de dançar flamenco! Durma com um barulho desses por dentro... risos....

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Encontro de Leoas 5



Maria Luiza: Malu, Maluzinha, Maluquinha do meu coração (já que não tenho outro)... me diz uma coisa: Você enlouqueceu de vez? Ou foi impressão minha?

Malu: Não....estou normal. Quer dizer, no meu normal.

Maria Luiza: Ah tá, entendi. Normal maluca de atar...isso! Entendi.

Malu: Não me incomoda. Fiz o que achei que tinha que fazer. Não sou mulher de ficar de braços cruzados. Eu sei, falo demais... eu sei, amo demais... eu tudo demais. Mas ultimamente ando sofrendo demais também. Então...perdido por um perdido por cinco. Tanto faz. Ao menos abro meu coração. Digo as coisas que penso, vislumbro possibilidades e, se não for assim, sigo em frente... não vou morrer.

Maria Luiza: Muito fácil falar. Eu já te disse. Você é impulsiva, tem que se controlar. Ser mais sensata. Tá ficando velha e não se apruma.

Malu: Velha é você! Eu sou de dentro a jovem adulta. Tem muita gente com aparência de jovem que não tem a energia que eu tenho.

Maria Luiza: Eu sei. Você é uma bomba humana!

Malu: Um vulcão. Seria mais apropriado chamar de um vulcão. Mas um vulcão de amorosidades, de energia boa, de coragem... de vontade de ser feliz. Minha vida está passando e eu sei bem que não estou aqui a passeio. Ou eu faço alguma coisa ou o tempo passa e vou ter que esperar a outra encarnação. Na brincadeira toda, já vão sete anos... é tempo demais...

Maria Luiza: Mas você tem que entender que existem os tempos dos outros... das outras pessoas. Nem todo mundo tem seu ritmo... decide e pronto.

Malu: Eu sei e isso é uma das coisas que me enlouquece. Não é fácil de lidar. Mas eu penso que cada um tem que fazer suas escolhas. Mas eu faço as minhas...investimentos desejantes em felicidade. Eu sei o que busco. Eu posso adaptar, ceder, mudar um pouco a direção, ajustar... sou flexível nesse sentido... só não vou deixar o tempo passar... ficar pensando ‘na morte da bezerra’... não tenho vocação para paralisar...a minha parte da vida eu quero em ALEGRIA!

Maria Luiza: Vichi.. hoje você está impossível! Não vai adiantar conversar. Quando você está assim, sai falando.. agindo.. depois eu é que me ralo....

Malu: Nem sempre. Às vezes, você também se dá bem. Olha, eu tenho a vida para recomeçar essa semana. Só isso. Fecho o livro. Começam as atividades em Caxias do Sul, na UCS, estou de volta para o trabalho em rádio, sigo coordenando filhos e funcionários, planejando e trabalhando na Pazza Comunicazione (www.pazza.com.br). Estou lutando para voltar para o karatê e já está acertado que esse ano inicio dançar flamenco, que é um dos meus sonhos... Criatura.. pensa bem.. acha que posso me fechar em dores?

Maria Luiza: Está bem. Está bem. Depois não diga que não avisei.

Malu: Dona Maria Luiza, eu aprendi uma coisa, se você quer algo, abre a boca e diz. O risco é não receber, mas o pior é ficar na ‘expecta’, na espera, dependurado na quimera, no quem dera.. e se fosse e se não fosse e se desse.. .ai Meu Deus... que a vida siga.. que tudo se defina...e eu seja feliz em Caxias do Sul.

Maria Luiza: Então tá.. eu silencio... pra variar.. você não me pergunta antes...nem depois. Não pergunta nada. Sente, derrama sentimento e sai vivendo.. vamos ver no que vai dar. Depois conversamos.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Moreno Claro

Lembro a beleza
de um moço moreno claro.
Seus olhos são doces, são ternos,
são olhos titubeantes...
são olhos de um claro moreno.
Queria dizer-te coisas,
mas o dia me atropela.
Quando o encontro em raros momentos,
brincamos, trocamos risos,
beijos, carinhos,
olhares morenos-claro
e depois...
nos amorenamos.

O Louco e a Solidão




Sai correndo do hospital, atravessa a rua – quase é atropelado – continua correndo na outra calçada, até que se choca com uma senhora de uns 60 anos mais ou menos – que vinha carregada de pacotes, pois acabara de sair do supermercado.

Com o incidente, ele parece ter adquirido uma calma, inexplicável enquanto a senhora se enfureceu completamente. Ele se levanta lentamente e se põe a olhar a senhora, que mal podia se por em pé de tanta raiva. Não dizia nada. A mulher esbravejava:

- Você não olha por onde anda? Olhe só o que fez. Todas as minhas compras... tudo. E nem ao menos me ajuda a pegar. Pior que isso, fica me olhando com essa cara de... de nada. Como é... não vai responder?

O louco não responde. Continua olhando a senhora que cada vez ficava mais nervosa. Depois de algum tempo, enquanto algumas pessoas que passavam resolveram ver o que tinha acontecido ou, mesmo, ajudar a recolher os pacotes, ele disse:

- A senhora sabe quem é o culpado da solidão no mundo?

A velha se indignou.

- Solidão? Isso é hora de falar em solidão?

- Solidão não tem hora dona, aparece. Assim como a senhora na minha frente. Assim... de repente. Aí parece que sempre esteve no mesmo lugar.

Ela interrompe.

- Quer parar de falar bobagem! Em vez de ficar aí falando todas essas bobeiras, por que não me ajuda a pegar esses chocolates que comprei para os meus netos?

- O culpado é o sol. Ele é o culpado da solidão do mundo. É um mal exemplo. O seu brilho... sozinho. É um mal exemplo. Se pudesse, eu terminava com ele. Com sua pompa.

- Olha aqui, rapaz. Eu não tenho tempo a perder com você. Vou andando, porque já estou atrasada.

Ela sai andando, procurando ajeitar novamente os pacotes. Ele muda de direção, para acompanhá-la, e continua falando ...

- Sabe, algumas pessoas são como ele. Acham que tem luz própria, que brilham por si, que não precisam de ninguém porque, sozinhas, já são o centro de tudo. Não tenho dúvidas, minha senhora, a culpa é dele. Do seu mal exemplo. O Sol...Grande coisa!!!!
Ela agora entra no assunto, mas tenta rebater os argumentos dele.

- Olha, acho que você, um rapaz tão moço, ainda não devia se preocupar tanto com a solidão. A gente só é sozinho quando quer. Veja meu caso....

- Justamente – interrompe o louco. O seu caso. É um caso típico de solidão não assumida. A senhora já pensou no quanto é sozinha?

- Eu?! Sozinha? Não. Você está enganado. Tenho meus filhos, meus netos. Meu marido não tenho mais, porque Deus levou, mas enquanto ele viveu fomos muito felizes.

Sempre fui muito amada. Não. Eu, sozinha, não. Os meus filhos, meus netos. Não.
Neste meio tempo, o sol que estava escondido por umas nuvens reaparece e o louco tem uma crise. Começa a gritar.

- Prendam-no! Prendam-no! Guardas, venham todos prendê-lo. Ele é o culpado deste crime terrível. É um mal exemplo.

As crianças não devem vê-lo mais. O mundo não pode continuar sendo um ninho de solidão.

Atirou-se no chão e continuou gritando, até que chegaram alguns atendentes do hospital e o levaram de volta. A mulher ficou estática durante algum tempo e depois seguiu para sua casa. Quando chegou, seu genro estava no portão e veio encontrá-la gritando.

- D. Maria, eu já falei pra Beti que nem pra ir no mercado a senhora presta mais. Demora duas horas. Não adianta, lugar de velho é dentro de casa.

A filha dela sai e continua o que o marido tinha começara.

- Será possível mãe? Faz um tempo enorme que estou esperando as comprar para fazer o jantar. O Carlos precisa sair. Será que a senhora só serve pra comer, dormir e fazer crochê?

Ela ouve tudo calada. Entra em casa. Senta no sofá da sala. Eles continuam a reclamar, até que ela interrompe.

- Vocês sabem quem é o responsável pela solidão do mundo?

- Que é isso mãe isso é hora de falar em solidão?

Ela abaixa a cabeça e responde – como quem aprendeu mais alguma coisa.

- Solidão não tem hora, aparece...